sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

GISELLE EM BUENOS AIRES

HOJE, 04 DE FEVEREIRO DE 2011.

Em 27/10/2010, minha filha resolveu ir fazer medicina na Universidade Federal de Buenos Aires, nesse dia levei-a ao aeroporto e lá está ela realizando seu sonho. A saudade é enorme, mas compreendo a sua determinação e a admiro por sua coragem de deixar para trás, pai, mãe e irmão, além dos amigos para se dedicar a um projeto desafiador. Tem o meu apoio, tudo que eu puder farei pra ajudar. Fiz até um poema sobre isso, veja só:

O arqueiro vê o sinal no caminho do infinito e Ele com o Seu poder faz com que as
Suas flechas partam rápidas e cheguem longe” Gibran Kahlil Gibran

Durante
esses dezenove anos eu vislumbrei uma vida para você e até então você esteve
sobre meu domínio. Eu ganhei de Deus um Arco com duas flechas e esse foi o
maior e melhor presente que eu já recebi na vida. Eu sou o arqueiro, a sua mãe
é o arco e as flechas são: você e seu irmão. Peguei esse presente de Deus, me
pus de pé, olhei para o alvo, peguei o arco e também uma flecha. Concentrei-me,
respirei fundo, no início me deu até medo, mas quase aprendi a controlar a
respiração e as reações do meu corpo e da minha mente, (ainda não controlo
totalmente, mas já o suficiente para manusear o arco e as flechas). Então
iniciei o lançamento, segurei o arco com a mão firme e ele encaixou
perfeitamente na minha mão, mexi com o braço de um lado para o outro e o arco
acompanhava os movimentos que eu fazia, posso afirmar que eu e o arco somos um
só. Sempre firme, o arco envergava com a força que eu fazia e voltava a sua
curvatura original quando eu o afrouxava, mas logo eu tornava a fazer força e
ele tornava a envergar sem sequer dar sinal de que poderia quebrar, por mais
força que eu fizesse sempre acompanhava os movimentos que eu fazia. Coloquei a
flecha por entre o arco, no lugar chamado descanso da flecha e encostei a mesma
no batente da flecha, que fica na ”corda do arco”. Ali, com a flecha em
segurança, percebi que ela precisava de uma identificação e escrevi nela o nome
GISELLE, observei e vi que para um lançamento perfeito aquela flecha precisava ser lapidada como uma jóia, Deus havia me dado uma flecha de madeira de lei que precisava
ser trabalhada e aprimorada, então a tirei do arco, levei ao fogo e fui
aplicando um pouco de calor e ela foi desempenando, ficando reta e tomando
prumo. Também precisava ser adornada para que a sua beleza sobressaísse, e eu
fui colocando penas coloridas, escolhidas a dedo, cada uma em seu devido lugar,
mas faltava a ponta e a fiz com o metal mais precioso que pude comprar e quando
terminei, aquela flecha me parecia pronta para o lançamento. Coloquei-a de
volta no arco e fui esticando o arco devagarzinho, e com tamanha intimidade fui
sussurrando para flecha dizendo: _ O alvo é aquele lá menina, , confio em você,
quando eu te lançar não deixe nenhum vento te desviar da sua trajetória, acerte
na mosca. E neste momento com o arco esticado e a flecha apontada para o alvo,
fechei os olhos, respirei fundo, em seguida abri os olhos novamente, olhei através
da alça de mira, prendi a respiração e convencido de que aquele era o instante,
lancei a flecha em direção ao alvo.

O arco permaneceu fixo na mão do arqueiro, mas a flecha se afastou em direção ao alvo
e esta se distanciando em direção a ele, só restou ao arqueiro olhar e torcer
para que o lançamento tenha sido perfeito e para que a flecha atinja o alvo,
mas se isso não acontecer, o arqueiro está pronto para resgatar sua flecha
porque “O arqueiro ama a flecha que voa...”

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